Declarações de padre em missa em Baixo Guandu, gera polêmica sobre Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida
Padre Oliveiro teria feito apelo aos fiéis para que reconsiderassem voto em Flávio Bolsonaro; declaração do Pároco causou revolta e dividiu opinião entre os católicos.
Baixo Guandu-ES – Uma fala atribuída ao padre Oliveiro, da Paróquia de Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo, durante uma missa realizada ontem, domingo (18) na cidade, gerou muita polêmica por envolver religião, política e a família Bolsonaro.
Conforme o relato da declaração, o religioso abordou o segundo turno das eleições e afirmou que a família Bolsonaro seria contra Nossa Senhora Aparecida. Durante a celebração ele também teria criticado o senador Flávio Bolsonaro por ter se batizado em uma igreja evangélica.
Ainda segundo o relato, o padre afirmou que Flávio estaria tentando enganar os católicos e fez um apelo aos fiéis para que refletissem antes de votar no candidato.
Fala associa voto a uma suposta traição religiosa
Durante a homilia, o padre teria dito que os católicos que rezam a Ave-Maria e têm fé em Nossa Senhora Aparecida deveriam pensar duas vezes antes de votar em Flávio Bolsonaro. A declaração atribuída ao sacerdote foi além da crítica política ao associar um eventual voto no candidato a uma suposta traição a Nossa Senhora Aparecida e à Igreja Católica.
O episódio levanta discussões sobre os limites entre manifestações políticas durante celebrações religiosas e a liberdade de escolha dos eleitores, especialmente em um período de forte polarização política. O mal estar causado entre os fiéis foi grande, agitando as redes sociais após a fala de Oliveiro durante a homilia (preleção ou comentário feito por um sacerdote ou diácono durante a missa cristã, logo após a proclamação do Evangelho e das leituras bíblicas).
Polêmica entre Flávio e Nossa Senhora Aparecida já foi provado ser fake news.
Um dos pontos centrais da polêmica envolve a alegação de que Flávio Bolsonaro seria contra Nossa Senhora Aparecida. Essa informação, que circulou amplamente nas redes sociais em setembro, foi desmentida por veículos de checagem. O conteúdo foi associado a um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, que acabou arquivado em 2008.
Flávio Bolsonaro não foi o autor desse projeto. Em setembro de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção de publicações que apresentavam como verdadeira a afirmação de que o senador pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
Portanto, a alegação de que Flávio pretendia retirar esse título não tem fundamento nos registros apresentados pelas checagens jornalísticas.
Foto: Divulgação.

Padre Oliveiro causa polêmica ao se posicionar politicamente durante missa em Baixo Guandu-ES.
Debate envolve religião e liberdade de voto
A repercussão do caso coloca em discussão a relação entre fé e posicionamento político. Enquanto religiosos podem manifestar opiniões sobre questões públicas, a associação entre uma escolha eleitoral e uma suposta traição à fé pode provocar questionamentos entre os próprios fiéis.
O batismo de Flávio Bolsonaro em uma igreja evangélica, por si só, não comprova oposição à Igreja Católica ou a Nossa Senhora Aparecida.
Posicionamento
A reportagem não conseguiu confirmar de forma independente o conteúdo integral da homilia nem localizar uma manifestação oficial do padre sobre o episódio. A Paróquia São Pedro e a Diocese de Colatina poderão ser procuradas para esclarecer o contexto das declarações.
O espaço permanece aberto para manifestação do sacerdote e da Igreja Católica sobre o caso.
Redação: Jornal ATV – A Tribuna do Vale.