Ganho com faxina e construção nos Estados Unidos chegam até R$ 23 mil.

Com atividades que exigem mais força de vontade e esforço físico do que qualificação, profissionais do Estado têm encontrado mais qualidade de vida no exterior. Atuando com faxina, pintura e como motorista, eles faturam até R$ 23 mil por mês.

Os imigrantes garantem que esses trabalhos, muitas vezes vistos como subemprego no Brasil, são reconhecidos no exterior, no entendimento de que a sociedade é uma grande engrenagem e que todos as profissões são importantes para que ela funcione.

“A renda salarial na Europa e nos EUA é maior, a economia é mais forte e, por isso, se paga mais até mesmo para o desenvolvimento de atividades que exigem menor conhecimento técnico”,
disse o economista Marcelo Loyola Fraga.

 (Foto: Acervo Pessoal)

(Foto: Acervo Pessoal)

Pintor de imóveis


Trabalhando como pintor de imóveis e motorista de aplicativo nos Estados Unidos, onde mora há cinco anos, Emerson Negreli, conhecido como o “Cara de Hamburg”, contou que já ganhou até R$ 23 mil por mês, mas enfatizou que a vida não é fácil, apesar de a desigualdade de renda ser menor.

Ele detalhou que o imigrante, quando chega ao país, geralmente vai varrer, colocar lixo para fora, ajudar a carregar escada e, à medida que vai ganhando experiência e aprendendo a língua, o salário vai aumentando.

“Para ganhar mais, tem de aprender a pintar, por exemplo, e a falar a língua. Um excelente pintor, com inglês fluente, pode ganhar até US$ 30 (R$ 123) por hora”,
comentou.

Os EUA ainda é o destino mais procurado. Apesar de ter sido mais duro em relação ao processo imigratório no início do seu mandato, o presidente Donald Trump sabe que a mão de obra imigrante é necessária.

“Ao mesmo tempo em que a economia dos Estados Unidos cresceu por causa do trabalho dos imigrantes, Trump tenta impor um certo controle.

Mas sabe que o processo imigratório não pode ser eliminado, já que isso iria comprometer a economia americana”, lembrou o economista Celso Bissoli.

Uma gestora comercial capixaba, de 32 anos, que mora nos EUA há cerca de um ano e não quis ter o nome publicado, contou que trabalha com faxina e ganha, em média, R$ 10 mil por mês: “Só imigrante faz esse tipo de trabalho aqui. Americanos não pegam serviço pesado”.

Ela enfatizou: “Aqui, temos qualidade de vida, o nosso dinheiro rende. Os objetivos são mais fáceis de serem conquistados”.

De acordo com economistas, quem consegue ficar legalmente nesses países e estudar tem uma grande chave para abrir portas para um futuro mais promissor, alcançando outro patamar.

A advogada Daniely Ribeiro, especialista em Direito Internacional, presta assessoria jurídica para capixabas que querem viver em outros países.
Ela contou que, entre os destinos mais desejados, atualmente, estão Portugal, Itália e Inglaterra.

Por Verônica Aguiar e Ivy Coutinho.

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