Cresce o número de mulheres que buscam armas para se defender

A intenção de se proteger da violência, sobretudo de assaltos e estupros, fez crescer o interesse das mulheres em adquirir armas e participar de cursos de tiro no Estado. É o que afirmam especialistas do ramo de armas. De acordo com esses profissionais, a procura do público feminino cresceu em torno de 40%.

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), de 1º de janeiro até 24 de maio deste ano, o Estado registrou o assassinato de 38 mulheres. No mesmo período do ano passado foram 57 vítimas.

A Polícia Federal informou que, no ano passado, foram concedidas 1.441 autorizações para posse de arma e 227 para porte, contabilizando homens e mulheres. Este ano, já são 344 documentos de posse e 88 para porte de armas expedidos.

O despachante de armas Marlos Borges destacou que o público masculino ainda compõe a maioria dos interessados em armamento. No entanto, o número de mulheres que demonstram vontade de adquirir uma arma ou participar de cursos de treinamento para atirar e manusear uma arma está aumentando.

“Elas procuram (as armas) para evitar estupro ou assalto. Não que a arma seja necessariamente para matar, mas só de sacar uma arma, o bandido para por ali. Ela serve para impedir a ação”, explicou Borges.

Já o vice-presidente do Guerreiros Clube de Tiro, Jorge Aragão, revelou que a procura de mulheres por armas nas lojas do grupo cresceu 100% e a venda de armas para mulheres dobrou no último ano.

“Em turmas que eram 100% homens, hoje tem de quatro a seis mulheres. Para o próximo curso, já demonstraram interesse cerca de 12 mulheres. Está crescendo bastante. A maioria já foi assaltada, sofreu tentativa de assalto ou é para prevenção”, disse Aragão.

Entretanto, os especialistas consultados informaram que o aumento foi de 40%, em média.

“O aumento vem desde 2017, quando houve a paralisação da Polícia Militar, em fevereiro. Não é totalmente por conta da violência, mas também para acompanhar os maridos em clubes de tiros e pela difusão esportiva”, disse o instrutor de tiro Victor Boechat.

A titular da Delegacia de Polícia (DP) de Itacibá, delegada Tânia Zanoli, alerta para o risco de ter uma arma. “Se a pessoa não tiver um preparo, o bandido pode tirar a arma dela e matá-la”, frisou.

“Eu preciso ter condições para me defender!”

Denize mostra revólver comprado por ela para se defender de assaltantes (Foto: Acervo Pessoal)

Denize mostra revólver comprado por ela para se defender

Os roubos e invasões em pousadas e propriedades vizinhas começaram a preocupar a empresária Denize Calmon, de 52 anos, moradora da região serrana do Estado. A insegurança causada pelos crimes na região fez com que ela iniciasse o processo de compra de um revólver calibre 38.

Há um ano e meio, ela comprou a arma, da qual possui o porte e a posse. “A última vontade que tenho é de usar essa arma”, frisou.

Por Leone Oliveira.

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