Mulherada está bebendo mais do que os homens, dizem especialistas.
As mulheres estão bebendo mais e mais cedo, antes dos 15 anos, do que os homens, revelam os especialistas. A tradição de que os homens bebem mais que as mulheres, teve mudança significativa nos últimos anos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2010 e 2016, o índice do chamado BPE (beber pesado episódico), padrão de consumo de álcool, aumentou entre as mulheres em todo o mundo.
Esse padrão representa a ingestão de quatro ou mais doses dentro de um período de duas horas para mulheres. O índice passou de 5,2% no 1º ano da pesquisa para 6,9% no último da pesquisa.
Especialista em dependência química e coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), a biomédica Erica Siu afirma ser preocupante o número de meninas entre 13 e 15 anos que já tenham ingerido bebida alcoólica.
Dados da pesquisa Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – realizada com alunos do 9º ano do ensino fundamental, em 2015 –, mostraram que 56,1% das meninas nessa faixa etária já experimentaram bebidas alcoólicas, contra 54,8% dos meninos.
De acordo com o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), os pais contribuem para que o consumo de álcool inicie ainda na adolescência.
“Os pais pedem às crianças para pegarem cerveja na geladeira, e isso incentiva o filho a usar. Com isso, normalizam esse uso. As crianças copiam o funcionamento dos pais. Até em festa de criança há bebida alcoólica”, alertou.
O psiquiatra Valber Dias acredita que o aumento do consumo de álcool pelas mulheres se deve a fatores culturais, como a busca pelo mesmo espaço do homem. “Porém, esse comportamento, de estar bebendo mais, também está relacionado aos jovens em geral”, observou.
Segundo o psiquiatra Fernando Furieri, a experimentação precoce de bebidas e o consumo em maior escala só aumentam os riscos de dependência e transtornos físicos. “A minha sugestão é que as mulheres sejam cada vez mais protagonistas de sua história. Porém, evitem, assim como os homens, o uso precoce ou abusivo de álcool”.
Redação: Jornal A Tribuna do Vale com informações de Camila Lima .