Novas drogas de verão chegam ao Estado e preocupam médicos

Corta para Santa Lúcia, em Vitória. Um estudante de Odontologia de 26 anos a bordo de um Sportage cinza nem desce do carro para negociar os dois tipos de haxixe marroquino e paquistanês que trafica. “O preto é pior e o grama é R$ 15. O marrom é melhor, então vendo por R$ 50 um grama”, negocia, com opção de entrega das bolas na Praia do Morro e na Enseada Azul, em Guarapari.
É por ali, aliás, que um jovem que acabara de voltar de uma temporada na Europa compartilha com amigos um “barato” diferente que faz sucesso do outro lado do Atlântico: cheirar, aos moldes da cocaína, cacau em pó. Ele abre uma carreira numa festa na Praia de Peracanga e um grupinho aspira. As cenas seguintes são patrocinadas pelo efeito do cacau, que provoca injeção de endorfina, causando euforia.
Espécie de ecstasy líquido, o GHB não deixa por menos. Na base do conta-gotas, estão sendo usados com intuito de vulnerabilidade sexual. Versões mais baratas, a R$ 30 e há casos de morte súbita. A chegada de drogas de verão ao Estado deixam os especialistas preocupados. Para o médico psiquiatra e psicanalista José Nazar, as novas drogas podem desencadear loucura, psicose e neuroses, além de desestruração mental.
Por Lucas Rezende